sábado, 28 de junho de 2008
Cavalheiro Camões
Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.
Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.
Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.
Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.
Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Thomas Quasthoff - Gute Nacht
Winterreise. Musica de Franz Shubert, poemas de Wilhelm Müller
http://www.gopera.com/winterreise/songs/cycle.mv
Herberto Helder in Os passos em volta
"Era um cão que tinha um marinheiro. O cão perguntou à esposa, que se pode fazer com um marinheiro? Põe-se de guarda ao jardim, respondeu ela. - Não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim, que fica perto do mar. Um marinheiro é uma criatura derivada por sufixação, e pode recear-se o poder do elemento de base: o radical mar. Em vez de guardar o jardim, ele acabaria por fugir para o mar. - Deixá-lo fugir, disse a esposa do cão. Mas ele não estava de acordo. Que um facto deveria ser esse mesmo facto até ao limite do possível: quem possui um marinheiro para guardar o jardim deve procurar mantê-lo a todo o custo, assim como o cão, ou o casal de cães, que não tiver um marinheiro deve não tê-lo até a isso ser absolutamente forçado. - Nesse caso, só nos resta ir para uma terra do interior, longe do mar, disse a cadela. E então foram para o interior, levando pela trela o marinheiro açaimado. (....)"
Poema sefardi acerca dos carinhos excessivos que os adultos dão aos bebés
Non me mordaš, ya habîbî Lã,
no qero daniyoso
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Nõn me tánkaš, yã habîbî Lã,
no qero daniyõšo
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Não me mordas, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me nego.
Não me toques, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me recuso.
Yehuda Halevi (1075-1140)
no qero daniyoso
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Nõn me tánkaš, yã habîbî Lã,
no qero daniyõšo
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Não me mordas, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me nego.
Não me toques, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me recuso.
Yehuda Halevi (1075-1140)
quarta-feira, 4 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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