Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, You gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Last Christmas - Wham!
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
de José Almada Negreiros
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Almada Negreiros
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Underground/Podzemlje - Stani Stani Ibar Vodo
Stani, stani, Ibar vodo.
Kuda zuris tako?
I ja imam jade svoje,
meni nije lako.
Dragisa Nedovic
terça-feira, 9 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Charlie Chaplin, The Kid, Parte 2/5 (1921)
Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrelaçam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.
Maria Velho da Costa
La Canzone Dell'amore Perduto
2 †Archaeamphora
3 Brocchinia
4 Byblis
5 Catopsis
6 Cephalotus
7 Darlingtonia
8 Dionaea
9 Drosera
10 †Droserapollis
11 †Droserapites
12 †Droseridites
13 Drosophyllum
14 †Fischeripollis
15 Genlisea
16 Heliamphora
17 Ibicella
18 Nepenthes
19 Paepalanthus
20 †Palaeoaldrovanda
21 Pinguicula
22 Roridula
23 Sarracenia
24 †Saxonipollis
25 Stylidium
26 Triphyophyllum
27 Utricularia
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
Borges & Piazzolla
Me acuerdo, fue en Balvanera,
en una noche lejana,
que alguien dejó caer el nombre
de un tal Jacinto Chiclana.
Algo se dijo también
de una esquina y un cuchillo.
Los años no dejan ver
el entrevero y el brillo.
¡Quién sabe por qué razón
me anda buscando ese nombre!
Me gustaría saber
cómo habrá sido aquel hombre.
Alto lo veo y cabal,
con el alma comedida;
capaz de no alzar la voz
y de jugarse la vida.
(Recitado)
Nadie con paso más firme
habrá pisado la tierra.
Nadie habrá habido como él
en el amor y en la guerra.
Sobre la huerta y el patio
las torres de Balvanera
y aquella muerte casual
en una esquina cualquiera.
No veo los rasgos. Veo,
Bajo el farol amarillo,
El choque de hombres o sombras
Y esa víbora, el cuchillo.
Acaso en aquel momento
En que le entraba la herida,
Pensó que a un varón le cuadra
No demorar la partida.
Sólo Dios puede saber
la laya fiel de aquel hombre.
Señores, yo estoy cantando
lo que se cifra en el nombre.
Entre las cosas hay una
De la que no se arrepiente
Nadie en la tierra. Esa cosa
Es haber sido valiente.
Siempre el coraje es mejor.
La esperanza nunca es vana.
Vaya, pues, esta milonga
para Jacinto Chiclana.
"Enciclopédia Celestial dos Conhecimentos Benévolos"
in o Idioma Analítico de John Wilkins de Jorge Luis Borges
Último Soneto
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Mário de Sá-Carneiro
Playtime - Jacques Tati - Window Cleaning
"Os dez melhores filmes de 1968
1. Playtime (Playtime), de Jackes Tati
2. Laços eternos (Un Soir... Un Train...), de André Delvaux
3. O Charlatão (The Big Mouth), de Jerry Lewis
Nota:
Excepção feita aos três últimos filmes que incluí na sua lista, os restantes filmes que este ano viu não lhe interessam a ponta de um corno.
Moral da lista:
cada vez gosta mais de menos filmes.
João César Santos*"
Trata-se na verdade de João César Monteiro
Epístola aos Romanos 9:21
"Porventura não é o oleiro senhor do barro para poder fazer da mesma massa um vaso para uso honroso e outro para uso vil?"
Paulo de Tarso
A livre necessidade
Espinosa, Ética, definição VII
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Mariza - Medo
Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!
E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?
Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
Música: Alain Oulman
Letra: Reinaldo Ferreira
quarta-feira, 2 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
Cavalheiro Camões
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.
Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.
Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Thomas Quasthoff - Gute Nacht
Winterreise. Musica de Franz Shubert, poemas de Wilhelm Müller
http://www.gopera.com/winterreise/songs/cycle.mv
Herberto Helder in Os passos em volta
Poema sefardi acerca dos carinhos excessivos que os adultos dão aos bebés
no qero daniyoso
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Nõn me tánkaš, yã habîbî Lã,
no qero daniyõšo
Al-gilãlah rajisah Bašta
a tõtõ me rifyušo.
Não me mordas, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me nego.
Não me toques, amigo, não,
Eu não quero o que me faz dano
Meu corpinho é frágil. Basta.
De todo me recuso.
Yehuda Halevi (1075-1140)
quarta-feira, 4 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
terça-feira, 27 de maio de 2008
Faz-me o favor...
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny
Sans Soleil, Sunless, Chris Marker
The first image he told me about was of three children on a road in Iceland, in 1965. He said that for him it was the image of happiness and also that he had tried several times to link it to other images, but it never worked. He wrote me: one day I'll have to put it all alone at the beginning of a film with a long piece of black leader; if they don't see happiness in the picture, at least they'll see the black.
He wrote: I'm just back from Hokkaido, the Northern Island. Rich and hurried Japanese take the plane, others take the ferry: waiting, immobility, snatches of sleep. Curiously all of that makes me think of a past or future war: night trains, air raids, fallout shelters, small fragments
of war enshrined in everyday life. He liked the fragility of those moments suspended in time. Those memories whose only function it being to leave behind nothing but memories. He wrote: I've been round the world several times and now only banality still interests me. On this trip I've tracked it with the relentlessness of a bounty hunter. At dawn we'll be in Tokyo.
domingo, 25 de maio de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Inno alla morte • Giuseppe Ungaretti
Amore, mio giovine emblema,
Tornato a dorare la terra,
Diffuso entro il giorno rupestre,
E' l'ultima volta che miro
(Appie' del botro, d'irruenti
Acque sontuoso, d'antri
Funesto) la scia di luce
Che pari alla tortora lamentosa
Sull'erba svagata si turba.
Amore, salute lucente,
Mi pesano gli anni venturi.
Abbandonata la mazza fedele,
Scivolero' nell'acqua buia
Senza rimpianto.
Morte, arido fiume...
Immemore sorella, morte,
L'uguale mi farai del sogno
Baciandomi.
Avro' il tuo passo,
Andro' senza lasciare impronta.
Mi darai il cuore immobile
D'un iddio, saro' innocente,
Non avro' più pensieri ne' bonta'.
Colla mente murata,
Cogli occhi caduti in oblio,
Faro' da guida alla felicità.
Alexandre O'Neill
Rifão Quotidiano
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
Mário Henrique Leiria, in Novos Contos do Gin-Tonic
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística

Selecção de trabalhos dos alunos da 2ª edição do Curso de Fotografia:
Albino Mahumana
Andreia Alves de Oliveira
Bruno Ramos
Carla Cabanas
Catarina Botelho
Dalila Gonçalves
Daniela Krtsch
João Serra
José Nuno Lamas e
Valter Ventura
Margarida Gouveia
Marta Sicurella
Sandra Rocha
Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Gulbenkian, Piso 01
13 de Maio a 15 de Junho de 2008
3ª a Domingo, 10:00 às 18:00
sábado, 26 de abril de 2008
pasolini e l'omologazione
ontem comemorou-se os 34 anos da revolução de abril. fazemos esta breve referencia porque hoje é dia 26.
Анна Ахматова

So many stones have been thrown at me,
That I'm not frightened of them anymore,
And the pit has become a solid tower,
Tall among tall towers.
I thank the builders,
May care and sadness pass them by.
From here I'll see the sunrise earlier,
Here the sun's last ray rejoices.
And into the windows of my room
The northern breezes often fly.
And from my hand a dove eats grains of wheat...
As for my unfinished page,
The Muse's tawny hand, divinely calm
And delicate, will finish it.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
surveiller et punir

José Luis Neto
"Momento importante. O corpo e o sangue, velhos partidários do fausto punitivo, são substituídos. Novo personagem entra em cena, mascarado. Terminada uma tragédia, começa a comédia, com sombrias silhuetas, vozes sem rosto, entidades impalpáveis. O aparato da justiça punitiva tem que ater-se, agora, a esta nova realidade, realidade incorpórea."
Michel Foucault
terça-feira, 22 de abril de 2008
“Quel Air Clair...” Obras da Colecção do Ar.Co

Palácio Galveias e Museu da Cidade (Pavilhão Preto)
Parte I
Inauguração 4ª feira, 23 de Abril às 19h (Palácio Galveias) e às 21h (Museu da Cidade).
Patente de 24 de Abril a 8 de Junho
Parte II
Inauguração 3ª feira, 24 de Junho às 19h (Palácio Galveias) e às 21h (Museu da Cidade).
Patente de 25 de Junho a 24 de Agosto
Nunca mostrada publicamente como um conjunto autónomo, a Colecção de artes do Ar.Co –Centro de Arte e Comunicação Visual é um projecto que ganhou uma dimensão intencional e sistemática apenas em meados dos anos 90.
Com um imperativo de critério mas grande informalidade – à margem da actividade escolar e dependente, muitas vezes, da oportunidade do momento – a “Colecção” foi crescendo, na esmagadora maioria dos casos, a partir de ofertas de ex-alunos, professores, ex-professores, mas também de autores/artistas sem qualquer ligação directa com a escola.
O conjunto de obras angariadas abrange as mais variadas áreas das artes visuais: Desenho, Pintura, Gravura, Instalação, Escultura, Joalharia, Cerâmica, Ilustração, Fotografia, etc.
Artistas representados na colecção:
Lúcia ABDENUR, Helena ABRANTES, André ALMEIDA E SOUSA, Helena ALMEIDA, Augusto ALVES DA SILVA, Duarte AMARAL NETTO, Gil AMOUROUS, Carmina ANASTÁCIO, ANGELO de Sousa, Alice ANJOS, Constança AROUCA, Bárbara ASSIS PACHECO, BARTOLOMEU dos Santos, Barry BARTLET, Raffaello BERGONSE, Sara BETTENCOURT, Michael BIBERSTEIN, Ilda BRAGANÇA, Miguel BRANCO, Paulo BRIGHENTI, Paula BRITO, Pedro CALAPEZ, Manuel CALDEIRA, Fernando CALHAU, Elisabeth CALLINICOS, Anabela CAMELO, Lourdes CASTRO, Jackie CATARINO, Rui CHAFES, Alberto CHISSANO, Alexandre CONEFREY, Luísa CORREIA PEREIRA, Manuel COSTA CABRAL, Marcelo COSTA, Paula CRESPO, José Pedro CROFT, Rita DEL RIO, Berta EHRLICH, Marta ELISEU, Rita FAUSTINO, Inês FAVILA, Ana FERREIRA, Elsa FIGUEIREDO, Cristina FILIPE, Eduardo F.M., GAETAN, Miguel GOMES, Charlotte GORSE, Sónia GRAÇA, Nininha GUIMARÃES DOS SANTOS, José de GUIMARÃES, Chris GUSTIN, Ana HATHERLY, Leonor HIPÓLITO, Masayuki INOUE, Tiago JESUS, Ana JOTTA, Helena LEIRIA, Eurico LINO DO VALE, Patrick LOUGHRAN, Manuel Júlio MACHADO, Artur MADEIRA, Daniel MALHÃO, Ana MARCHAND, MARIA DO LAVRE, António MARQUES, Nuno MARTINHO, João MARTINS, Katharina MENZIGER, João MIGUÉIS, Marília Maria MIRA, Paula MIRANDA, Jorge MOLDER, Rui MOREIRA, Eduardo NERY, Jorge NESBITT, José Luís NETO, Zélia NOBRE, Ted NOTEN, Frederico NS, Paula PAOUR, Madalena PARREIRA, Paulo PASCOAL, Rui PATACHO, Ana PEREZ-QUIROGA, Ruudt PETERS, Víctor POMAR, João QUEIROZ, Jorge QUEIROZ, Paulo QUINTAS, Teresa RAMOS, Rosário REBELLO DE ANDRADE, Alexandre REBOTIM, Rui SANCHES, Martim SANTA RITA, Carlos SANTOS, Josiane Rodrigues dos SANTOS, Teresa SANTOS, Julião SARMENTO, Tereza SEABRA, António SENA, João Paulo SERAFIM, Alexandra SERPA PIMENTEL, João SERRA, Sofia SERRANO, Bela SILVA, Diana SILVA, Jesus SILVA, Catarina SIMÕES, Thierry SIMÕES, Nuno SIQUEIRA, Nancy SMITH, José SOUDO, Pedro SOUSA VIEIRA, Gustavo SUMPTA, Angus SUTTIE, Salette TAVARES, Susanne THEMLITZ, Nuno TOMAZ, Francisco TROPA, Jan van der VAART, Artur VARELA, Ana VIEIRA, Manuel VILHENA, Tine VINDEVOGEL, Ana YOKOCHI, Megumi YUASA, Christoph ZELLWEGER, Arnold ZIMMERMAN
Esta exposição realiza-se no âmbito das comemorações do 35º aniversário do Ar.Co, celebrado em 2008.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Poema em Linha Reta
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos

















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